Sobre romances

Finais felizes: esse é o nosso negócio!

Como uma escritora de romances (românticos, claro) eu vivo no meio de um fogo cruzado causado por uma “confusão” nomenclatural que falamos em outro post: o que é, afinal, um romance romântico (ou romance feminino, ou “romancinho”?). Estabeleço meu ponto afirmando que escrevo romances como eles são definidos pelo Romance Writers of America, no contexto de romance novel.

E esse tipo de romance só pode terminar de uma forma: com um final feliz. Mas aí vem outra questão que comumente causa polêmica no meio literário (mais entre leitoras do que escritoras, mas sobra para todo mundo): o que é um final feliz? Seriam todos os finais felizes iguais?

A resposta da segunda pergunta é mais simples: não. Claro que não. Se romances (românticos) tratam de histórias de vida, decerto nem todas essas histórias teriam uma idêntica resolução feliz. Mas, para descobrirmos se a resolução é o que consideramos um “final feliz”, precisamos entender o que isso significa.

Em muitos romances, principalmente os de época, o final feliz representa casamento e filhos. Durante muitos séculos, a única resolução favorável para um casal seria essa. Se eles não se casassem, não poderiam ficar juntos de acordo com a legislação vigente, seu relacionamento seria repudiado pela sociedade e seus filhos nasceriam bastardos. Ninguém queria isso, certo? Sem contar que a sociedade patriarcal europeia sempre reforçou que a felicidade da mulher residia exclusivamente em se casar e ter filhos, e a maternidade era quase um desejo intrínseco de todas elas.

O Século XXI já enxerga que mulheres podem ser felizes de outra forma. Isso também significa que casais podem ser felizes de outra forma que não envolva casamento e filhos (por vezes, nem um, nem outro).

Existem dois tipos de finais felizes que representam resoluções satisfatórias para romances românticos: o FELIZES PARA SEMPRE (Happily for Ever After ou HEA) e o FELIZES POR ENQUANTO (Happy for Now ou HFN). Cada um representa uma categoria de finais que possibilitam o encerramento desejado em um livro de romance (romântico).

O Felizes para Sempre nos coloca diante de um encerramento. O Felizes por Enquanto nos coloca diante de um começo.

Em um livro que finalize oferecendo para as leitoras um felizes para sempre, teremos o casal junto (não importa como) e a autora passa aquela sensação de que eles permanecerão juntos.

Um felizes para sempre nem sempre termina com um casamento ou com o mocinho de joelhos propondo à mocinha, mas eles tem que estar juntos [como um casal].

Institute for Writers

No felizes para sempre é muito comum que o casal termine casado, pois essa é a forma mais fácil de passar a sensação de continuidade para a leitora. Geralmente é isso que as leitoras esperam de um romance (romântico): que o casal termine junto depois de ultrapassar todos os obstáculos que eles enfrentaram durante o livro. Sabemos, no entanto, que é possível terminar um livro dando o “gostinho” do felizes para sempre sem um casamento. Eles podem morar juntos (união estável, oi!) e eles definitivamente não precisam de filhos. Há várias nuances que podem ser trabalhadas para que todo romance (romântico) não termine em casamento.

Repetindo que nos romances de época isso é muito mais difícil de obter. Casais “de antigamente” precisavam do casamento, da instituição como ela era, ou o seu final feliz não seria satisfatório. Mas será que não dá para terminar um livro sem essa sensação de permanência e ainda assim entregar um final feliz?

Para isso existe o felizes por enquanto. Esse tipo de final é considerado feliz porque o casal fica junto, mas não nos termos do “finalmente”, e sim do “vamos começar uma nova jornada”.

Poxa, Tatiana, então eles não terminam casados, felizes e cheios de filhos?

Não, não terminam. Um felizes por enquanto pode significar um “eu te amo” dito por alguém que jurou nunca dizer, pode terminar com a decisão de “começar uma jornada” ao lado da pessoa amada, pode terminar com a superação do último obstáculo que impedia o casal de ficar junto. Não teremos um casamento, noivas de branco, filhos nascendo ou diamantes de noivado, mas teremos, ainda, um final satisfatoriamente romântico que encerra a jornada dos protagonistas.

Ah, mas isso abre uma possiblidade de muitos finais felizes diferentes! Não sei se vou gostar de alguns deles.

Entendo que haja uma preferência das leitoras por casamentos em finais no tipo felizes para sempre. Talvez possamos considerar que algumas delas dirão que o livro não teve um final feliz se o casal não terminou com um monte de filhos, em uma casinha de varanda, com um Golden Retriever e fazendo churrasco nos finais de semana. Mas nem todos os finais felizes precisam ser assim.

Um final feliz encerra um arco de personagens e nem sempre esse arco precisa de um casamento lá no último capítulo. Mas é importante frisar que um romance (romântico) é assim classificado porque o casal termina junto no final. Seja um felizes para sempre, seja um felizes por enquanto, o casal estará junto, ou pelo menos a história termina de forma que as leitoras entendam que eles estão juntos.

Contem para mim: agora que vocês já sabem dos tipos de finais felizes, qual é o seu preferido? Vocês, leitoras, dariam uma chance ao felizes por enquanto ou são fechadas com o time felizes para sempre?

Fontes desse texto:

Photo by Carly Rae Hobbins on Unsplash

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